domingo, 19 de fevereiro de 2012

Parêntese II


Foi uma noite confusa... Eu não estava em meu lugar... Estava ausente de mim, distante do meu Ser..., momentaneamente imersa num mundo que não me cabia mais, entregue a pensamentos egoístas e céticos, em relação a pessoas e sentimentos...
Algo havia de me ser mostrado. No fim das contas tive este entendimento...





(... Experimentei dois lados, passei de uma condição a outra e as reconheci como inerentes ao momento em que me encontro; ao que estou vivenciando... Foi um sonho... Eu estava sonhando...
... Angustiava-me minha insônia..., me angustiavam os pensamentos recorrentes, dos quais não conseguia me esquivar por muito tempo, enquanto virava de um lado para o outro... Permaneci assim por muito tempo... Num dado momento, senti que saía do meu corpo... Fiquei confusa, achei esquisito..., mas não senti medo. Olhei para trás, percebi que me distanciava dele, estendido sobre a cama... A minha frente uma planície verdosa se estendia extensamente até findar no horizonte, ao pé de montanhas azuladas pelo contorno com o Céu limpo e azul... Eu estava flutuando sobre esta planície... O sentimento inicial de confusão e estranheza havia cedido lugar à sensação de leveza, conforto e integridade... Eu me sentia em mim.
Era como se eu sempre estivesse ali, naquela condição, naquele encontro com o Todo; plena em mim e comigo... Aliás, era o único pensamento que me ocorria, era a única sensação que sentia...
... Abruptamente me peguei sentada na cama, em minhas mãos um galho de avenca verdinho...
Fiquei confusa e intrigada com a volta repentina ao meu corpo e por estar segurando aquele galho de avenca. Afinal, em nenhum momento havia pisado no chão daquela planície... Eu me perguntava e ponderava sobre o que poderia significar...



Perguntei a minha filha, que neste momento entrava no quarto (usando um fone de ouvidos e cantando qualquer coisa, sem dar atenção ao que eu perguntava), o que poderia significar eu ter voltado ao meu corpo trazendo aquela avenca, depois de ter saído dele e flutuado, como havia acontecido...
Sem resposta, sem a atenção dela, fiquei pensando e pensando...
Esta situação (de ter retornado com a avenca nas mãos, bem como de me intrigar e de fazer perguntar a minha filha) foi também parte do sonho... Também o foi ficar ali, sentada sobre a cama, e por muito tempo, ponderando o que isto queria dizer, o que podia significar...)

Devo ter ficado bastante tempo assim, até acordar...
 [Usee]





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