sexta-feira, 19 de outubro de 2012

"Do Imaculado Conhecimento"



 Ser feliz na contemplação, com a vontade morta,
isento de capacidade e de apetite egoísta,
frio de corpo, mas com os olhos embriagados de lua.

Para mim seria o melhor
(assim se engana a si mesmo o enganado)
amar a terra como a luz a ama,
e tocar na sua beleza apenas com os olhos.

Eis o que eu chamo imaculado conhecimento de todas as coisas:
não querer das coisas mais do que poder estar diante delas.


Hipócritas afetados e lascivos!
Falta-vos a inocência no desejo, e por isso caluniais o desejo!
Vós não amais a terra como criadores,
como geradores satisfeitos de criar.

Onde há inocência?
Onde há vontade de engendrar.
E o que criar qualquer coisa superior a si mesmo,
esse, para mim, tem a vontade mais pura.

Onde há a beleza?
Onde é mister que eu queira com toda minha vontade,
onde eu quero amar e desaparecer,
para que uma imagem não fique reduzida a uma simples imagem.

--> [Trecho do Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche]


Nenhum comentário:

Postar um comentário