sábado, 24 de agosto de 2013

Precipitação e julgamento


Postagem original em 26/02/2013

Embora tenhamos imensa dificuldade em fazer um juízo sobre nós mesmos (quando o fazemos é com o ego inflamado de vaidade ou de forma depreciativa), não raro, temos muita facilidade em fazê-lo em relação aos outros, o que ocorre, invariavelmente, em tom de julgamento (depreciativo ou de pujança).

Costumamos nos antecipar ao modo de ser do outro – de todos outros – fora de nós (não falo só de outra pessoa), olhá-los, julgá-los e julgar conhecer aspectos de sua pessoalidade e de seu interior, como se tivéssemos o poder de revirá-lo ao avesso, penetrar em seu Ser e conhecer sua Essência.

De onde vem esta pretensão e arrogância? Quem nos deu esse poder?

Embora este seja um comportamento recorrente, raramente (ou nunca) nos leva a refletir.

Pensar sobre nossas atitudes é sempre uma tarefa difícil, e muitas vezes dolorosa, uma vez que não nos reconhecemos sob o mesmo parâmetro nem nos medimos com a mesma medida com que medimos o outro.

O princípio básico que devia (e deve) nos orientar é o seguinte: “assim como não me conheço completamente, também não posso conhecer o outro”, portanto, devo abster-me de julgá-lo.

O conhecimento que podemos ter de nosso interior; de nosso Ser, depende do acesso ao caminho que nossa consciência nos dá.

É ela que abre caminho para o “reconhecimento” e conhecimento do Ser; nosso e do outro (dos outros) fora de nós, no lugar em que este se manifesta (na própria consciência), e “apenas” aí.

Assim sendo, o conhecimento e reconhecimento do outro, depende do conhecimento e reconhecimento que temos de nós. Nestes termos, conheço e reconheço o outro, apenas e na medida em que conheço e me reconheço; conscientemente. Isto equivale a "sentir", aceitar, respeitar e amar;  a mim e ao outro. 

Percebem o vínculo necessário da condição do Ser? 
Percebem o “elo” que nos faz ser segundo (e com) o outro (os outros), segundo uma Unidade; plasmada e predeterminada?

Eu sei, é incognoscível...

Então, se foge à nossa compreensão, porque nos antecipamos, emitimos juízos e julgamos o outro, como se tivéssemos a posse do conhecimento de seu interior?

Ah! Pela aparência! Pelo que ele “mostra” ser!

É... Não é por outra instância que o fazemos!

Usee


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