quinta-feira, 30 de maio de 2013

“Sintomas” do julgamento... (II)



                                                     Postagem original em 05/03/2012


Uma vez que meu jeito de ser é o esboço das marcas e sentimentos que trago e cultivo (íntegros ou não), sou eu, com meu jeito de ser: atitudes, comportamentos e conduta, que dou ao outro, elementos e motivos para elaborar seu julgamento e avaliação sobre mim.

Material que ele aproveita sempre muito bem, dada à sua condição de ser; produzida e alimentada pelo externo, reforçada pelas marcas e sentimentos que também traz.

Quando essas marcas e sentimentos são íntegros, dou ao outro elementos/motivos não para julgar-me, mas para qualificar-me, e, quem sabe, colher daí algum exemplo. Este caminho é também inverso, do outro para mim.

Seja como for, nunca fujo a seu olhar e julgamento (avaliação e suposição), nem ele do meu.


Posso trabalhar-me interiormente, a fim de rever-me, posso não me deixar levar e influenciar pelos conceitos do mundo e padrões sociais, posso viver uma vida de entrega e disciplina espiritual e esforçar para refletir esta minha condição, enumerar meus exemplos atitudinais (fiz isso, fiz aquilo, não faço isso, não faço aquilo) e esperar que o outro também o faça...Mas, ainda assim, vou estar sob a ótica de seu julgamento e refém dele (ou ele de mim).

Posso até dizer que não me importo com o julgamento alheio, mas, uma hora ou outra, é certo que vou me doer e sentir incomodada. Quando considerá-lo injusto, vou esboçar alguma reação (e achar natural esboçá-la).

Posso, por fim, me separar, “sentir” e afirmar estar separada do outro; em (e por sua) condição de ignorância.


Entretanto, não posso deixar de reconhecer que através dele vou estar submetida aos conceitos e aos padrões, mesmo involuntariamente, e, ainda que me sinta firme e equilibrada interiormente, vou dar algum sinal de fraqueza, manifestando minha própria ignorância, por/quando assim fazê-lo.

Se me ponho atenta a meu interior e atitudes, vou saber que é assim...

Diante disto, cabe-me o trabalho interior constante, para, em consciência, atuar e transmutar aquelas marcas e sentimentos, que produzem ou possam produzir desequilíbrio e alimentar minha fraqueza.


Devo, portanto, diante do reconhecimento do peso do julgamento alheio sobre mim, estar atenta aos sintomas que estes acendem e inflamam em meu interior; identificando-os, e suas possíveis causas, a fim de transmutá-las, minimizando sua vibração e efeito.

É por esta via que crio condição para rever-me, perdoar e perdoar-me, harmonizar-me, me elevar, ascender...


Usee



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