sexta-feira, 28 de junho de 2013

Aparar as arestas...
















O que nos impede de avançar no propósito de ser, para ser segundo nosso Ser; em consonância com o Amor, são arestas, de um modo de ser do passado, de um “nó” ou amarra,  que “ainda” não conseguimos “aparar”, nos libertar, vencer, mas que é preciso observar, rever, reparar... 

É isto que cada um deve fazer!


Usee

Cuidado interior

                                               Postagem original em 23.10.2012

O percurso que nossas atitudes e ações devem fazer, no sentido da entrega ao Caminho do Amor/da Luz/Verdade, deve ser o mesmo que fazem nossos pensamentos e sentimentos, quando ideamos ser segundo nosso Ser e consoantes à Vontade Divina.

Porém, falta-nos muito... O caminho é longo...

Uma coisa é pensar e sentir, outra coisa e estar efetivamente no caminho...



Sejamos "escutadores" de nossa própria consciência e observadores de nossos pensamentos, sentimentos, atitudes e ações... O "cuidado interior" é fundamental, na determinação ao caminho.

Convêm não (auto) decidir por "nossa" consonância e retidão, nos autopropagando aos quatro cantos, mas apenas deixar transparecer o que o nosso interior realiza e reflete e o que nossas atitudes transmitem e/ou demonstram.

Usee


"Vocês precisam cuidar de si"




"Meus amados. Vocês podem cuidar das pessoas, mas, se vocês não cuidam de si mesmos, esse cuidado externo de nada lhes valerá.

Vocês precisam cuidar de si. Cuidar do seu olhar. Cuidar dos seus sentimentos. Cuidar do seu caminhar. Cuidar de perceber quem você é: O que você sente; o que você pensa; o que você fala; o que você come; o que você pratica.


Esse olhar para o seu interior e cuidar de ser quem você é; é a fonte de toda saúde, é a fonte de toda a inteligência e longevidade.


Aquela pessoa que olha pra si, não é egoísta. Egoísta é aquele que olha pra si e não faz nada pros outros e nem pra si mesmo.


Olhar para si mesmo é um ato de compreensão. É a busca do interior. Se reconhecer. Se cuidar.  Se colocar limites. E assumir, na sua maturidade, o papel de Pai e de Mãe de si mesmo. O papel daquele que pondera, daquele que coloca limites e aquele que dá força. Essa força está em você.


As pessoas sofrem porque elas esperam dos outros essa compensação. Apostam no casamento, no 
parceiro, na parceira, essa orientação; esse carinho; esse amparo. Apostam no trabalho, no rendimento, no dinheiro... O bem estar e a felicidade.




Quando você foca em si mesmo, se observa, observa o porquê das suas atitudes, das suas palavras, do se comportamento, da sua dor, da sua alegria ou da sua tristeza. Você está se assenhorando do seu destino. Você está reconhecendo as suas potencialidades e as suas falhas. Você está dando força a si mesmo.



E aí, quando você amar alguém... Quando você abraçar um amigo... Você está fazendo isso como uma expressão de amor e não de carência.


Quando você se conhecer profundamente e você tocar o outro, você estará tocando o outro, porque você quer lhe oferecer carinho, gentileza, afeto, companheirismo. Não porque você está buscando aprovação do outro, ou, tentando seduzi-lo de alguma forma.


A sedução não é amor. Se mostrar belo, poderoso para alguém, não é demonstração de poder, nem de amor... É autoafirmação.


Quando você olha pra você mesmo, quando você ama a vocês mesmo, você têm uma força incrível pra se relacionar com todas as pessoas a sua volta.


Você reconhece os limites que a pessoas colocaram para você e não se machuca com eles. Você aprende a receber os “nãos” que a vida oferece, sem se quebrar por ouvir um Não.


Você aprende a amar com os olhos, a amar com as mãos, com as palavras. E aprende a não precisar das pessoas. A amar, oferecendo sem esperar, nada em troca.




E ainda, nas relações íntimas, familiares, que normalmente são as relações mais complicadas, porque ali está o seu karma... Quando você olha pra você, quando você se fortalece na meditação, na oração, no autoconhecimento: você será capaz de transitar entre as pessoas. Ouvi-las, apoiá-las. Dar o seu amor. Sem sofrer pelas portas fechadas, sem sofrer pelas palavras amargas.


Você saberá conviver, oferecendo o seu melhor e potencializando o melhor do outro.


Mas o primeiro passo é na sua própria direção. O primeiro passo é pra você mesmo. É se reconhecer. É olhar pra dentro de si. É amar a si mesmo, apesar de todas as falhas, apesar de todos os erros. E transformar aquilo que você pode.




A força do amor, do verdadeiro amor, libera de qualquer tipo de dependência. Assim, você transformará os seus relacionamentos: o seu casamento, o seu namoro, a sua amizade, as suas relações profissionais. Porque você não terá mais medo da rejeição, nem das palavras rudes, nem do desafeto, nem do fracasso.



Fortalecido no amor, você será capaz de ouvir qualquer crítica, mesmo as descabidas. Porque você vai aprender a não depender tanto da opinião das pessoas e nem do sucesso das suas empreitadas.


Com amor, você se deite. Com amor, você se levante. Com amor, você desenvolva todo o seu dia. Com amor, você olhe para dentro. E com amor, você se doe para fora.


Eu Sou Mestra Pórtia e aqui estou para dizer que amo vocês. E não abandono nenhum dos meus filhos, nem na hora de profunda escuridão.

Aqueles que estão sintonizados, com o poder da Chama Violeta, serão testados. Porque a força vem do interior, do principio de tudo, que é a energia que está no coração. É algo que nasce em você e que nunca pertencerá à outra pessoa.


A força é sua. O amor está em você. Compartilhe, porque ele é a bondade. Mas ele está em você.
Bênçãos e Luz. Sigam em Paz."






sexta-feira, 21 de junho de 2013

REAÇÕES - ArqueiroHur






REAÇÕES

O que denota e fortalece o que sou
(ou como estou)
é o como me porto diante de cada situação na vida.

O que nutre ao meu SER
(ou ao meu ego/sombra)
é como me coloco perante as oportunidades
que o Universo me oferta.

Não é “no outro” que está ou se encontra
“o poder, as questões” ou a ‘condição’
de me desestabilizar, de me induzir,
de me seduzir.
Sou eu, que de acordo com a “minha reação”,
quem estabelece e oferta
o desencadear e propagar da LUZ ou da “sombra”
sobre os meus passos e caminho.

Ex: se me mantenho fiel e entregue ao compromisso de Evoluir,
permaneço na LUZ e desta forma,
não só inibo qualquer possibilidade de sucesso da “sombra”,
como acabo ‘dissolvendo-a’ pela LUZ irradiada.
Da mesma forma que, se me mantenho ‘preso’
e fechado nas minhas convicções e vontades,
não reconheço os ‘alertas da LUZ’
e impeço as suas ações no meu caminhar,
atraindo, em contrapartida,
mais "sombra e tormentos" para ele.


Sim!... são as “minhas reações”, meu posicionamento,
e não “meu discurso”,
que revelam ao que me proponho e entrego!

São pelas “minhas reações” em cada momento
que tenho o parâmetro para poder refletir e me rever;
ou que também reforçam minhas convicções e padrões.



Então, que eu aprenda a me ver
(e me reveja)
todos os dias,
pelas minhas reações, pelo meu comportamento e colocações
diante de tudo e de TODOS;
reagindo sempre para o meu crescer.
ArqueiroHur

Postado por http://arqueirohur.blogspot.com.br/ em 24.03.2013


Reconhecer e Transmutar...



Publicado originalmente em 13.08.2012

                                                                                                                              

O comportamento que temos,
assim como as atitudes que tomamos
e as reações que esboçamos
nos mais variados momentos
e nas mais variadas situações,
são sempre indícios ou sintomas
do que afetou ou afeta a alma...


Estes pesam sobre nosso Ser,
impedem a serenidade,  
a entrega e a Paz Espiritual...


Se nos permitimos voltar para o nosso interior,
a fim de reconhecê-los e transmutá-los  
ali, onde são produzidos e se assentam.
Se tiramos daí uma lição
e algum aprendizado.
Se, além disso, nos dispomos a vigiar-nos,
a fim de reconhecer  e evitar
tais comportamentos, atitudes e reações,
estaremos dando passos largos
no sentido da Paz interior
e da verdadeira entrega...

Quem faz esse percurso
e experimenta esta Paz interior e entrega
o sabe bem...


Usee


quinta-feira, 20 de junho de 2013

O efeito e resultado da mudança interior



Nunca é de mais falar sobre o trabalho interior, a ser efetuado por cada um de nós, no sentido de purificar-nos e elevar-nos...


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É pelo trabalho interior que o egoísmo, o orgulho, a arrogância, a vaidade, as mágoas... se desfazem, e que a pessoa empreende e pratica o respeito, a compreensão, o perdão e o cuidado para com os outros (não apenas pessoas) e para consigo mesmo. O efeito e resultado serão/são a simplicidade e a amorosidade, como prática de vida...

Entretanto, as mudanças que ocorrem no interior de uma pessoa, mediante este trabalho, não podem ser percebidas, reconhecidas ou constatadas senão através de suas atitudes, comportamentos e condutas. É aí que o efeito e o resultado podem ser observados, esteja ela onde estiver...

O reflexo deste modo de ser? A harmonia, o equilibrio, a serenidade..., que cada um experimenta, vivencia e reflete.

Usee



"Ação e reação, o exemplo" - Omraam Mikhaël Aïvanhov

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"A maior parte dos humanos comporta-se com uma incrível ligeireza. 

Os exemplos que eles têm debaixo dos olhos deixam-nos indiferentes, eles não tiram desses exemplos qualquer lição e continuam a agir como se os seus atos não tivessem qualquer consequência, próxima ou longínqua.

Eles transgredem as leis da Natureza, perturbam o trabalho dos elementos, sem se aperceber de que, pela sua atitude anárquica, provocam forças que acabarão por reagir para repor a ordem.

A Natureza não é uma matéria indiferente, inerte, insensível, com a qual se tem o direito de fazer aquilo que se quer, ela é viva, inteligente, sensível.

Claro que ela também é muito paciente, mas, sempre que os humanos ultrapassam os limites daquilo que ela pode suportar, ela riposta."

Omraam Mikhaël Aïvanhov


quarta-feira, 19 de junho de 2013

O Convite...

Imagem: Vitória Tigre


O alvoroço e desequilíbrio interior que cada “ser humano” experimenta na medida em que se perde em buscas e expectativas vazias, segue o mesmo compasso do alvoroço e desequilíbrio que o mundo tem experimentado e experimenta, pela somatória dos engenhos e desejos...

Desejos e engenhos, buscas, expectativas, e cada um por si! Os sinais e as marcas desse desequilíbrio estão aí... Eis os motivos pelos quais não aprendemos diante dos fatos, acontecimentos e situações que produzimos, experimentamos e vivenciamos!

Temos imensa dificuldade em olhar para dentro de nós mesmos e prestar atenção no que precisa ser observado e mudado. Em lugar desta atitude, de respeito e amor para conosco, optamos por propagar aos quatro cantos nossas mazelas e fracassos; seja de que natureza for.

Somos ligeiros no sentido de tomar para nós os infortúnios, quase sempre atribuindo (unicamente) aos outros. Deitamos sobre os outros ou sobre as situações nossos desejos e expectativas, e esquecemo-nos de escutar o que vem do profundo do nosso Ser, naquilo que é preciso perceber, observar...

Custa-nos perceber o que é preciso perceber e reconhecer nossos erros e equívocos. Custa-nos rever, perdoar e mudar nossas atitudes e condutas. Para que isto aconteça é preciso ir à fonte, começar pela origem desse alvoroço e desequilíbrio, nós (como produtores de um estado de coisas e produto dele)!

Falta aprender a recorrer a nós mesmos, a nosso interior, para escutar sua voz... Só recorrendo e valendo de sua luz é que podemos regular e harmonizar nossos sentimentos, pensamentos, atitudes e ações diante dos fatos, acontecimentos e situações da existência, servindo-nos deles como aprendizado e não nos permitindo desequilibrar...

O equilibrio do mundo passa pelo equilibrio interior, de cada um! Esta é a consciência necessária e o trabalho mais fundamental a ser realizado, para que haja Paz e Harmonia, para que o Amor prevaleça e nos conduza em nossa jornada. “A escolha é de cada um” e o caminho cabe a cada um tomar...

Utopia?

O que sinto é que o convite à revisão e ao perdão, à transformação e mudança interior, está sempre aberto, só é preciso escutá-lo em nós mesmos e fazer a escolha, cada um, somando, somando...

Usee


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Espiritualidade, dimensão esquecida e necessária - Leonardo Boff





Espiritualidade vem de espírito. Para entendermos o que seja espírito precisamos desenvolver uma concepção de ser humano que seja mais fecunda do que aquela convencional, transmitida pela cultura dominante. Esta afirma que o ser humano é composto de corpo e alma ou de matéria e espírito. Ao invés de entender essa afirmação de uma forma integrada e globalizante, entendeu-a de forma dualista, fragmentada e justaposta. Assim surgiram os muitos saberes ligados ao corpo e à matéria (ciências da natureza) e os vinculados ao espírito e à alma (ciências do humano). Perdeu-se a unidade sagrada do ser humano vivo que é a convivência dinâmica de matéria e de espírito entrelaçados e inter-retro-conectados.

1. Espiritualidade concerne ao todo ou à parte?

Espiritualidade, nesta segmentarização, significa cultivar um lado do ser humano: seu espírito, pela meditação, pela interiorização, pelo encontro consigo mesmo e com Deus. Esta diligência implica certo distanciamento da dimensão da matéria ou do corpo.

Mesmo assim espiritualidade constitui uma tarefa, seguramente importante, mas ao lado de outras mais. Temos a ver com uma parte e não com o todo.

Como vivemos numa sociedade altamente acelerada em seus processos históricos-sociais, o cultivo da espiritualidade, nesse sentido, nos obriga a buscar lugares onde encontramos condições de silêncio, calma e paz, adequados para a interiorização.

Esta compreensão não é errônea. Ela contem muita verdade. Mas é reducionista. Não explora as riquezas presentes no ser humano quando entendido de forma mais globalizante. Então aparece a espiritualidade como modo-de-ser da pessoa e não apenas como momento de sua vida.

Antes de mais nada importa enfatizar fato de que, tomado concretamente, o ser humano constitui uma totalidade complexa. Quando dizemos “totalidade” significa que nele não existem partes justapostas. Tudo nele se encontra articulado e harmonizado. Quando dizemos “complexa” significa que o ser humano não é simples, mas a sinfonia de múltiplas dimensões. Entre outras, discernimos três dimensões fundamentais do único ser humano: a exterioridade, a interioridade e a profundidade.

2. A exterioridade humana: a corporeidade

A exterioridade é tudo o que diz respeito ao conjunto de relações que o ser humano entretém com o universo, com a natureza, com a sociedade, com os outros e com sua própria realidade concreta em termos de cuidado com o ar que respira, com os alimentos que consome/comunga com a água que bebe, com as roupas que veste e com as energias que vitalizam sua corporeidade. Normalmente se entende essa dimensão como corpo. Mas corpo não é um cadáver. É o próprio ser humano todo inteiro mergulhado no tempo e na matéria, corpo vivo, dotado de inteligência, de sentimento, de compaixão, de amor e de êxtase. Esse corpo total vive numa trama de relações para fora e para além de si mesmo. Tomado nessa acepção fala-se hoje de corporeidade ao invés de simplesmente corpo.

3. A interioridade: a psiqué humana

A interioridade é constituída pelo universo da psiqué, tão complexo quanto o mundo exterior, habitado por instintos, pelo desejo, por paixões, por imagens poderosas e por arquétipos ancestrais. O desejo constitui, possivelmente, a estrutura básica da psiqué humana. Sua dinâmica é ilimitada. Como seres desejantes, não desejamos apenas isso e aquilo. Desejamos tudo e o todo. O obscuro e permanente objeto do desejo é o Ser em sua totalidade. A tentação é identificar o Ser com alguma de suas manifestações, como a beleza, a posse, o dinheiro, a saúde, a carreira profissional e a namorada, o namorado, os filhos, assim por diante. Quando isso ocorre, surge a fetichização do objeto desejado. Significa a ilusória identificação do absoluto com algo relativo, do Ser ilimitado com o ente limitado. O efeito é a frustração porque a dinâmica do desejo de querer o todo e não a parte se vê contrariada. Daí, no termo, predominar o sentimento de irrealização e, consequentemente, o vazio existencial.

O ser humano precisa sempre cuidar e orientar seu desejo para que ao passar pelos vários objetos de sua realização – é irrenunciável que passe - não perca a memória bem aventurada do único grande objeto que o faz descansar, o Ser, o Absoluto, a Realidade frontal, o que se convencionou chamar de Deus. O Deus que aqui emerge não é simplesmente o Deus das religiões, mas o Deus da caminhada pessoal, aquela instância de valor supremo, aquela dimensão sagrada em nós, inegociável e intransferível. Essas qualificações configuram aquilo que, existencialmente, chamamos de Deus.

A interioridade é denominada também de mente humana, entendida como a totalidade do ser humano voltada para dentro, captando todas as ressonâncias que o mundo da exterioridade provoca dentro dele.

4. A profundidade: o espírito

Por fim o ser humano possui profundidade. Tem a capacidade de captar o que está além das aparências, daquilo que se vê, se escuta, se pensa e se ama. Apreende o outro lado das coisas, sua profundidade. As coisas todas não são apenas coisas. Todas elas possuem uma terceira margem. São símbolos e metáforas de outra realidade que as ultrapassa e que elas recordam, trazem presente e a ela sempre retém.

Assim a montanha não é apenas montanha. Em sendo montanha, traduz o que significa majestade. O mar evoca grandiosidade; o céu estrelado, infinitude; os olhos profundos de uma criança, o mistério da vida humana e do universo.

O ser humano capta valores e significados e não apenas fatos e acontecimentos. O que definitivamente conta não são as coisas que nos acontecem, mas o que elas significam para a nossa vida e que experiências elas nos propiciam. As coisas, então, passam a ter caráter simbólico e sacramental: nos recordam o vivido e alimentam nossa interioridade. Não é sem razão que enchemos nossa casa ou o nosso quarto de fotos, de objetos queridos dos pais, dos avós, dos amigos, daqueles que entraram em nossa vida e significaram muito. Pode ser o último toco de cigarro do pai que morreu de enfarte ou o pente de madeira da tia que morreu ou a carta emocionada do namorado que revelou seu amor. Aqueles objetos não são mais objetos. São sacramentos, pois falam, recordam, tornam presente significados, caros ao coração.

Captar, desta forma, a profundidade do mundo, de si mesmo e de cada coisa constitui o que se chamou de espírito. Espírito não é uma parte do ser humano. É aquele momento da consciência mediante o qual captamos o significado e o valor das coisas. Mais ainda, é aquele estado de consciência pelo qual apreendemos o todo e a nós mesmos como parte e parcela deste todo.

O espírito nos permite fazer uma experiência de não-dualidade. “Tu és isso tudo” dizem os Upanishads da India, apontando para o universo. Ou “tu és o todo” dizem os yogis. “O Reino de Deus está dentro de vós” proclama Jesus. Estas afirmações remetem a uma experiência vivida e não a uma doutrina. A experiência é que estamos ligados e re-ligados uns aos outros e todos à Fonte Originante. Um fio de energia, de vida e de sentido perpassa a todos os seres, constituindo-os em cosmos e não em caos, em sinfonia e não disfonia.

A planta não está apenas diante de mim. Ela está como ressonância, símbolo e valor dentro de mim. Há em mim uma dimensão montanha, vegetal, animal, humana e divina. Espiritualidade não consiste em saber disso, mas em vivenciar e fazer disso tudo conteúdo de experiência. Bem dizia Blaise Pascal: “crer em Deus não é pensar em Deus mas sentir Deus”. A partir da experiência tudo se transfigura. Tudo vem carregado de veneração e de sacralidade.

A singularidade do ser humano consiste em experimentar a sua própria profundidade. Auscultando a si mesmo percebe que emergem de seu profundo apelo de compaixão, de amorização e de identificação com os outros e com o grande Outro, Deus. Dá-se conta de uma Presença que sempre o acompanha, de um Centro ao redor do qual se organiza a vida interior e a partir do qual se elaboram os grandes sonhos e as significações últimas da vida. Trata-se de uma energia originária, com o mesmo direito de cidadania que outras energias como a sexual, a emocional e a intelectual.

Pertence ao processo de individuação acolher esta energia, criar espaço para esse Centro e auscultar estes apelos, integrando-os no projeto de vida. É a espiritualidade no seu sentido antropológico de base. Para ter e alimentar espiritualidade a pessoa não precisa professar um credo ou aderir a uma instituição religiosa. A espiritualidade não é monopólio de ninguém, mas se encontra em cada pessoa e em todas as fases da vida. Essa profundidade em nós representa a condição humana espiritual, aquilo que designamos espiritualidade.

Obviamente para as pessoas religiosas, esse Centro é Deus e os apelos que dele derivam é sua Palavra. As religiões vivem desta experiência. Articulam-na em doutrinas, em ritos, celebrações e em caminhos éticos e espirituais. Sua função primordial reside em criar e oferecer condições para que cada pessoa humana e as comunidades possam fazer um mergulho na realidade divina e fazer a sua experiência pessoal de Deus.

Essa experiência porque é experiência e não doutrina tem como efeito a irradiação de serenidade, de profunda paz e de ausência do medo. A pessoa sente-se amada, acolhida e aconchegada num Útero divino, O que lhe acontecer, acontece no amor desta Realidade amorosa. Até a morte é exorcizada em seu caráter de espantalho da vida. É vivida como parte da vida, como o momento alquímico da grande transformação para poder estar, de fato, no Todo e no coração de Deus.

Esta espiritualidade é um modo de ser, uma atitude de base a ser vivida em cada momento e em todas as circunstâncias. Mesmo dentro das tarefas diárias da casa, trabalhando na fábrica, andando de carro, conversando com os amigos, vivendo a intimidade com a pessoa amada, a pessoa que criou espaço para a profundidade e para o espiritual está centrado, sereno e pervadido de paz. Irradia vitalidade e entusiasmo, porque carrega Deus dentro de si. Esse Deus é amor que no dizer do poeta Dante move o céu, todas as estrelas e o nosso próprio coração.

Esta espiritualidade tão esquecida e tão necessária é condição para uma vida integrada e singelamente feliz. Ela exorciza o complexo mais difícil de ser integrado: o envelhecimento e a morte.

Para a pessoa espiritual o envelhecer e o morrer pertencem à vida, não matam a vida, mas transfiguram a vida, permitindo um patamar novo para a vida. Assim como ao nascer, nós mesmos não tivemos que nos preocupar, pois, a natureza agiu sabiamente e o cuidado humano zelou para que esse curso natural acontecesse, assim analogamente com a morte: passamos para outro estado de consciência sem nos darmos conta dessa passagem. Quando acordamos nos encontraremos nos braços aconchegantes do Pai e Mãe de infinita bondade, que desde sempre nos esperavam. Cairemos em seus braços. E então nos perdemos para dentro do amor e da fonte de vida.