domingo, 20 de abril de 2014

"A BUSCA – Parte III" - J. Krishnamurti



Imagem: Usee


“Como, através de estreita janela,
contemplamos uma única folha verde,
de uma parte do vasto céu azul,
assim também comecei a Te perceber,
no começo de todas as coisas.
E, como a folha se descoloriu e murchou,
e de escura nuvem a nesga celeste se encobriu,
assim também Tu esmaeceste e desaparecestes,
para renascer outra vez,
como aquela folha verde e o reduzido espaço
de céu azul.
Por muitas vidas vi passar o frígido inverno
e a verde primavera.
Aprisionado em minha pequena alcova,
eu não via a árvore inteira e todo o céu,
e jurava que não existia a árvore e nem o vasto céu
- Para mim, era aquela a Verdade.

Com a ação destruidora do tempo, minha janela cresceu.
E contemplei então um ramo com muitas folhas
e uma vasta expansão do céu, com muitas nuvens.
Esqueci a folha verde solitária e aquele pequeno espaço da imensidão azul.
Jurava que não existia a árvore, nem o céu imenso.
- Para mim, era aquela a Verdade.

Cansado da prisão,
da estreita cela,
revoltei-me contra minha janela,
Com os dedos a sangrar,
arranquei tijolo após tijolo,
e contemplei então
a árvore inteira, seu tronco majestoso,
seus ramos numerosos, suas miríades de folhas,
e uma imensa parte do céu.
Jurava que não existia outra árvore, 
nem outra parte do céu.
- Era aquela a Verdade.

Aquela prisão já não me retém,
saí a voar através da janela.
Ó amigo,
Agora contemplo todas as árvores e a vastidão 
do infinito.
E embora eu viva em cada folha e em cada nesga 
do vasto céu azul,
Embora eu viva em cada prisão a espreitar 
por estreitas frestas,
Sou livre.
Não! Nada mais me prenderá.
- ESTA é a VERDADE.”

A BUSCA – Parte III

J. Krishnamurti

Publicado por: 
http://www.rp-bahia.com.br/biblioteca/ebooks/a_busca-krishnamurti.pdf

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